"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"

Stephen Jay Gould, 1993



Borboleta-cauda-de-andorinha

Numa das saídas realizadas no mês de novembro fomos alertados por uma simpática senhora para a presença de uma grande quantidade de lagartas muito coloridas que tinham aparecido num canteiro de arruda (Ruta graveolens) plantado numa pequena horta em frente a sua casa. Na realidade estas lagartas dão origem a lindíssimas borboletas conhecidas por borboletas-cauda-de-andorinha (Papilio machaon)

No vídeo seguinte podes recordar estas lagartas.


Uma vez ultrapassadas as metamorfoses, esta lagarta dá origem a uma borboleta com este belíssimo aspeto!

Borboleta-cauda-de-andorinha fotografada em Salreu (Aveiro). De notar que esta borboleta perdeu um dos apêndices das suas asas. 
 A pesquisa sobre a espécie decorreu mais tarde na escola. As informações foram recolhidas a partir do guia de campo "As borboletas de Portugal" e devidamente registadas nos cadernos de campo dos elementos do clube.

Registo das informações da espécie nos cadernos de campo.
Consulta de um dos guias de campo de borboletas disponíveis.


Bilhete de identidade

Nome vulgar: borboleta-cauda-de-andorinha

Nome científico: Papilio machaon

Filo: Artrópodes

Classe: Insetos

Comprimento (distância entre as asas): 8 a 10 cm

Distribuição: Encontra-se em todo o território de Portugal

Alimentação: a lagarta alimenta-se principalmente de arruda (Ruta graveolens) e funcho (Foeniculum vulgare)

Primeiras sessões do clube

As primeiras sessões realizaram-se na escola, no início, e depois no campo. O encontro na escola serviu para explicar aos elementos das várias equipas alguns aspetos importantes sobre o clube como por exemplo metodologias de trabalho utilizadas, apresentação dos guias de campo e dos cadernos de campo. Uma vez concluída esta introdução ao clube partimos para o campo para iniciar a aprendizagem da utilização dos binóculos. Esta fase decorreu igualmente no recreio da escola porque o tempo esteve muito instável no mês de novembro.


Habituação ao efeito da aproximação proporcionado pelos binóculos: objetos afastados parecem estar ao alcance da mão! 

Elemento do clube relembra a importância da focagem numa utilização correta dos binóculos.
 Depois de observarem objetos estáticos a diferentes distâncias, os elementos do clube iniciaram o treino de observação de aves, alvos móveis e de pequena dimensão que exigem alguma destreza e concentração.
Com a progressiva diminuição do fotoperíodo, no mês de novembro, as sessões do clube terminaram já quase de noite.
Algumas sessões decorreram em parte no recreio da escola a fim de evitarmos levar uma chuvada! Às quartas-feiras não há praticamente aulas de tarde e várias aves procuram o espaço exterior para comer migalhas e restos dos lanches de alunos que ficam pelo chão.
Alvéolas-brancas (Motacilla alba) e gaivotas-de-asa-escura (Larus fuscus) foram as espécies mais observadas.

Para além da observação de aves estas primeiras saídas permitiram aos elementos do clube ir conhecendo a região onde decorrem os nossos trabalhos à medida que vão adquirindo destreza, autoconfiança e concentração.

Observação da sinalização da Trilha da Serra de Canelas.
Zona da Trilha particularmente bonita.
Observação de um loureiro (Laurus nobilis). Cada elemento do clube retirou uma folha para posteriormente secar e adicionar ao seu caderno de campo.

Edição 2016/17

Mais um ano, novas oportunidades para um conjunto de jovens exploradores experimentarem a sensação de construir conhecimentos sobre a natureza enquanto a vivem por dentro. O clube de ciências é um mundo de aventuras!



Dos sessenta e dois candidatos, vinte e dois foram selecionados mediante a apresentação de um trabalho. Eis um exemplo:

Os alunos selecionados, pertencentes a seis turmas, foram divididos em três equipas: duas com sete e uma com oito elementos. O trabalho do clube é desenvolvido somente com uma equipa de cada vez. As equipas vão alternando ao longo do ano.

Últimas saídas de maio

O ano letivo aproxima-se do fim. O Clube de Ciências está também a concluir as suas atividades. Durante todo o mês de maio foram muitos os motivos de interesse que fomos encontrando durante as nossas saídas. vejamos alguns:

Prosseguiu a pesquisa de animais anfíbios e aquáticos...
... e de outros animais terrestres. Encontrámos vários debaixo de pedras.
Alguns, como tritões e larvas de libélula, foram colocados em frascos de vidro para se poderem estudar melhor.

Capturámos também uma rã-verde (Rana perezi) numa pequena linha de água...

...e observámos curiosos insetos como uma vespa a proteger o seu ninho...
... ou estas belíssimas borboletas da família dos zignídeos em acasalamento.

Primavera na Trilha da Serra de Canelas

Com a primavera surgiram novos motivos de interesse na Serra de Canelas: campos floridos, novas espécies de aves que migraram de outras regiões do mundo, uma coleção infindável de insetos e répteis e anfíbios que despertaram do estado de hibernação. O trabalho das equipas tem sido muito diversificado: pesquisar anfíbios e insetos aquáticos em pequenos ribeiros e charcos, répteis, insetos e outros animais  entre a vegetação em prados húmidos e por baixo de pedras e troncos e, é claro, continuar o estudo das aves da região. Pena é que as aves de rapina começaram a ser avistadas com menos frequência,  somente uma observação de um peneireiro-vulgar no dia 20 de abril e de um gavião no dia 4 de maio.

Prospeção de animais num prado.

Observação de um pequeno gafanhoto. 
Utilização de redes para captura de anfíbios.
Tal como em anos anteriores, as várias equipas tiveram oportunidade de capturar tritões-de-ventre- laranja (ver aqui) utilizando para tal pequenas redes de aquário. Após a captura seguiu-se a sua identificação feita a partir de um guia de campo.

O trabalho de identificação é sempre realizado em conjunto.
Após a identificação os elementos puderam pegar nos tritões e observá-los em pormenor. É claro que foram tomados todos os cuidados para evitar prejudicar os animais! As mãos, por exemplo, foram frequentemente molhadas para manter a sua pele sempre húmida.

Manipulação de um tritão-de-ventre laranja.

O registo fotográfico também não podia faltar, afinal os smartphones estão sempre à mão!

Realização de registos fotográficos dos animais em estudo.
Muitos outros motivos de interesse poderiam ser referidos: já chegaram, por exemplo, os verdilhões (Carduelis chloris) e as andorinhas (Hirundo rustica) das suas migrações por terras distantes. A toca dos texugos este ano não está ocupada, não há vestígios da sua presença (pegadas, terra remexida, ...). Numa próxima saída vamos pesquisar melhor os arredores a ver se encontramos outras entradas.

Entrada de toca de texugo (Meles meles) não utilizada recentemente.

O tão mal afamado licranço!

Poucos animais têm uma tão má fama como o licranço (ou descanço como é conhecido na região de Gaia). Diz-se por exemplo que "mordedura de licranço dá sete dias sem descanço" por causa das dores provocadas por um suposto veneno. Apesar de todas estas histórias populares a verdade é que o licranço é um réptil completamente inofensivo (menos para pequenos animais como caracóis, lesmas e outros pequenos invertebrados que lhe servem de alimento!).

Licranço (Anguis fragilis) fotografado nos prados próximos da Ribeira de Canelas.

Embora parecido com uma cobra, o licranço é um parente próximo das lagartixas e dos sardões, é um "lagarto sem patas". O medo que provoca nas pessoas vem provavelmente da sua forma semelhante a uma serpente e, em certas regiões do país, da confusão estabelecida com o seu nome uma vez que por exemplo em Trás-os-Montes licranço é um sinónimo de escorpião.


Técnica de prospeção de animais habitantes de um prado.

Durante as saídas realizadas entre abril e maio fizemos várias observações de licranços. Encontrámos os animais em prados ou por baixo de pedras. A sua captura e manipulação causou grande sensação nos elementos dos grupos. Foi uma daquelas experiências que não se esquece!

Manipulação de um licranço. Todos os elementos experimentaram pelo menos fazer uma "festinha" no animal.

A pouco e pouco o medo foi sendo substituído pela curiosidade e no final já havia quem o quisesse adotar como animal de estimação!
Primeira experiência de manipulação de um licranço 
O trabalho de identificação da espécie foi realizada pelos membros da equipas a partir de um guia de campo de répteis e anfíbios.
No final, depois de devidamente identificados, os animais foram libertados nos locais onde foram encontrados.

Licranço colocado delicadamente sobre o guia de campo permaneceu por uns instantes imóvel para a fotografia!

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Bilhete de identidade:

Nome vulgar: Licranço

Nome científicoAnguis fragilis

Filo: cordados

Classe: répteis

Habitat:  prados, bosques com abundante cobertura vegetal e zonas agrícolas.

Comprimento: 23 - 29 cm

Dimorfimo sexual: o macho mais robusto e com cabeça maior. Fêmea com laterais escuras.

Alimentação: caracóis, lesmas, insetos e aranhas.

Distribuição: Europa, Turquia, Irão e Rússia.

Rabirruivo-preto

Embora presente na região da Trilha de Canelas, a sua ocorrência é muito variável: há anos em que é muito escassa, noutros torna-se bastante frequente. Este ano parece ser um ano de abundância. Pelo facto de serem muito belas e pouco tímidas estas aves despertaram especial interesse em elementos de algumas das equipas.


As observações de rabirruivo-preto têm ocorrido principalmente nos campos e silvados próximos da Ribeira de Canelas. Há alguns anos chegaram a nidificar na própria escola.

Queres ouvir o canto do rabirruivo-preto? então clica na seta:




Trabalho de pesquisa sobre as aves da Trilha.

Pesquisa sobre a espécie e registo das observações no caderno de campo.

Este post teve pela primeira vez a colaboração ativa de elementos de uma das equipas do clube. O "bilhete de identidade"do rabirruivo-preto foi escrito durante uma sessão pelas meninas que se encontram na fotografia seguinte!

Redação do "bilhete de identidade" do rabirruivo-preto.



Bilhete de identidade:

Nome vulgar: Rabirruivo-preto

Nome científico: Phoenicurus ochruros

Filo: cordados

Classe: aves

Habitat:  zonas florestadas com clareiras, terrenos agrícolas e também zonas habitadas.

Comprimento: 14 - 15 cm

Dimorfimo sexual: o macho é mais escuro e tem uma mancha branca nas asas. A fêmea tem o peito pardacento.

Alimentação: insetos

Tipo de ocorrência: residente mas pouco frequente.