"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"

Stephen Jay Gould, 1993



Há trabalho para além do estudo das aves...

As aves são sempre um dos grupos animais a que prestamos mais atenção. São relativamente fáceis de observar, depois do domínio da utilização dos binóculos, e causam sempre enorme fascínio nos elementos do clube quando se apercebem da enorme diversidade de formas e cores. No entanto, a nossa atenção incide também sobre outros aspetos igualmente interessantes. Fica aqui um pequeno apanhado:

Observação de um muro / aqueduto que outrora limitava uma propriedade e conduzia água da Serra de Canelas até aos campos agrícolas. Trata-se de uma construção singular que faz parte dos elementos interessantes incluídos na Trilha da Serra de Canelas.
Identificação de um loureiro através das propriedades aromáticas das suas folhas. 
Depois da identificação desta árvore, um sobreiro (Quercus suber), uma participante procura retirar uma amostra de cortiça para guardar na sua coleção de elementos naturais.
Musaranho-de-dentes-brancos-grande (Crocidura russula). Já no ano anterior tínhamos visto um exemplar desta espécie. Estava morto, molhado, no meio da erva. Colocámo-lo sobre uma pedra para o observar mais atentamente e proceder à sua identificação. Para avaliarmos o seu tamanho cortámos um pequeno ramo com igual tamanho para medir mais tarde. 
Musaranho-de-dentes-brancos-grande (Crocidura russula). Para saber mais informações sobre a espécie clicar AQUI.
Fase de pesquisa de elementos sobre a espécie.
Observação de uma toca de texugos (Meles meles) outrora ocupada. Ver informação AQUI e AQUI.

Registo da observação no caderno de campo.
Joaninha-de-sete-pintas (Coccinella septempunctata) prestes a levantar voo do dedo de uma participante do clube.

Chapim-rabilongo

Ave pequena e bastante discreta, o chapim-rabilongo forma pequenos bandos que voam de árvore em árvore, deixando-se geralmente observar sem grandes receios. É uma espécie inconfundível, assemelha-se a uma pequena bola com cauda comprida, devido ao seu corpo rechonchudo e bico curto.

É uma espécie localmente abundante, mais comum no interior norte de Portugal. Na região onde decorre o nosso trabalho foi observada pela primeira vez este ano e por uma única ocasião: em 26 de janeiro.


Observa o vídeo para descobrires (ou relembrares) como é uma espécie tão bonita. Se olharmos para as aves ao longe e sem atenção parecem todas iguais, no entanto... há muitas surpresas que nos esperam se lhes prestarmos a devida atenção.


Elementos de uma equipa em trabalho de campo. 

Enquanto observam as aves, estas alunas mantêm-se protegidas por um muro a fim de não afugentarem as aves.
Registo das informações obtidas sobre o chapim-rabilongo.

Bilhete de identidade:

Nome vulgar: Chapim-rabilongo.

Nome científico: Aegithalos caudatus

Filo: cordados

Classe: aves

Habitat: bosques, jardins e charnecas.

Comprimento: 13,5 - 14,5 cm.

Dimorfimo sexual: não existe.

Alimentação: insetos e sementes

Tipo de ocorrência: ocasional.

Carriça

Há medida que os anos de clube vão passando, cada vez é mais difícil encontrarmos espécies de aves que não foram ainda observadas em edições anteriores. No entanto, há sempre algumas novidades para revelar. Hoje vamos falar da carriça (Troglodytes troglodytes).



Não se trata de uma espécie particularmente rara ou em vias de extinção. É, na verdade, pouco comum na região abrangida pela Trilha, mas o facto de ser muito pequena e pouco colorida ajuda também a explicar a razão de nunca a termos avistado.

O trabalho associado à observação de aves exige silêncio, paciência e contenção de movimentos para não as afugentar.
A observação de aves tão pequenas e irrequietas como a carriça exige muita concentração e um bom domínio da utilização dos binóculos.
As carriças são inconfundíveis. São das mais pequenas aves da fauna portuguesa. Mantêm a sua pequena cauda muito levantada enquanto procuram ativamente pequenos insetos em árvores e arbustos que percorrem rapidamente. Acompanhá-las com binóculos nem sempre é fácil dada a sua agilidade!

Início do processo de pesquisa sobre a biologia da carriça.
Pesquisa de informação num guia de campo.


Bilhete de identidade:

Nome vulgar: Carriça

Nome científico: Troglodytes troglodytes

Filo: cordados

Classe: aves

Habitat: jardins, bosques, pântanos e costas marítimas rochosas.

Comprimento: 8 - 12 cm.

Dimorfimo sexual: não existe.

Alimentação: insetos

Tipo de ocorrência: desconhecida.

De regresso à escola...

Após várias sessões realizadas no campo, as equipas permaneceram na escola a fim de atualizarem os seus cadernos de campo. Este trabalho, já explicado em edições anteriores, implica a pesquisa de informações em guias de campo e a utilização de imagens representativas das espécies observadas...
Consulta de um guia de campo de aves para obtenção de informações sobre a biologia do peneireiro-vulgar.
Fase de registo das informações obtidas sobre a rola-turca.
Todo  trabalho é feito em equipa. Cada elemento fica encarregado de realizar a pesquisa sobre uma espécie e transmite aos restantes elementos as informações obtidas.
Registo no quadro do nome vulgar e do nome científico da espécie pesquisada  para que os restantes elementos os possam copiar sem erros ortográficos.
Partilha de informações  com os restantes elementos da equipa.
Registo das informações no caderno de campo.

Imagem do caderno de campo de um dos elementos do clube.

As aves observadas...

Tradicionalmente o estudo das aves ocupa no clube uma parte significativa do nosso esforço. Estes animais provocam sempre enorme fascínio a partir do momento em que os observamos através de binóculos e nos apercebemos na riqueza de cores, formas e comportamentos. Além disso estão presentes na região ao longo do ano contrariamente a outros animais, como répteis, anfíbios ou insetos que não se obervam na época mais frio do ano porque estão a hibernar ou simplesmente morreram e os seus ovos só vão eclodir quando surgir de novo o calor.

Elementos do clube em ação. 


Até ao momento temos já uma lista de observações bastante interessante:

- Cartaxo-comum (Saxicola rubicola)
- Bico-de-lacre (Estrilda astrild)
- Melro-preto (Turdus merula)
- Felosinha (Phylloscopus collybita)
- Alvéola-branca (Motacilla alba)
- Fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis)
- Pisco-de-peito-ruivo (Erithacus rubecula)
- Pombo-torcaz (Columba palumbus)
- Carriça (Troglodytes troglodytes)
- Rola-turca (Streptopelia decaocto)
- Chapim-rabilongo (Aegithalos caudatus)
- Chapim-real (Parus major)
- Ferreirinha (Prunella modularis)
- Pardal-comum (Passer domesticus)
- Toutinegra-de-barrete-preto (Sylvia atricapilla)
- Gaivota-de-asa-escura (Larus fuscus)
- Serzino (Serinus serinus)

Bico-de-lacre (Estrilda astrild).


Para além destas espécies, a maioria já observada pelos elementos das três equipas, avistámos em alguns momentos magníficas AVES DE RAPINA: peneireiros (Falco tinnunculus) , gaviões (Accipiter nisus) e águias-de-asa-redonda (Buteo buteo),  espécies já observadas em anos anteriores. Numa das saídas pudemos assistir a um curioso bailado entre 5 águias-de-asa-redonda sobre a Serra de Canelas. Foi um momento verdadeiramente único na vida do clube!

Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo).



Primeiras saídas

Após um breve arranque na escola, os elementos do clube puderam dar início ao contacto direto com o mundo natural. Foi o tempo para aprenderem algumas metodologias do trabalho de campo e de adquirirem uma atitude atenta, concentrada e silenciosa.

A aprendizagem da utilização correta de binóculos é uma das primeiras lições adquiridas no clube. É um trabalho que exige alguma prática. É importante que os jovens naturalistas adquiram rapidamente esta competência, uma vez que se pretende fazer um estudo o mais possível alongado no tempo sobre as espécies de aves que ocupam o território da Serra de Canelas.

Depois de observarem objetos estáticos a diferentes distâncias, os elementos do clube iniciaram o treino de observação de aves, alvos móveis e de pequena dimensão que exigem alguma destreza e concentração.


Fase de aprendizagem da utilização de binóculos.

Com o tempo, os elementos do clube adquirem uma atitude mais atenta e concentrada sobre o que os rodeia. Vão, também, ficando mais confiantes, uma vez que este tipo de ambiente é novo para a grande maioria.
Exploração de uma mata próxima da Ribeira de Canelas.
Esta primeira fase proporcionou às diversas equipas o conhecimento da região envolvente da Trilha da Serra de Canelas. Alguns aspetos do património natural, nomeadamente algumas espécies de árvores e de arbustos nativos, e do património construído, como por exemplo a escultura de homenagem ao pedreiro que se encontra no lugar do Curro, ocuparam algum do nosso tempo.

A passagem pela Viela do Curro é sempre um momento divertido principalmente para os participantes que nunca ali estiveram.
Encontro com a escultura Monumento ao Pedreiro, da autoria de Margarida Santos.

Edição 2017/18

Nova edição do clube. Mais um grupo de jovens naturalistas vai iniciar a fantástica experiência de realizar trabalhos de pesquisa sobre o mundo natural vivendo-o por dentro.


Como já vem sendo habitual, houve muitos alunos candidatos. No fim, foram selecionados vinte e um provenientes de sete diferentes turmas. Estes foram divididos em três equipas de sete elementos.

Exemplo de trabalho selecionado.