"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"
Após um breve arranque na escola, os elementos do clube puderam dar início ao contacto direto com o mundo natural. Foi o tempo para aprenderem algumas metodologias do trabalho de campo e de adquirirem uma atitude atenta, concentrada e silenciosa.
A aprendizagem da utilização correta de binóculos é uma das primeiras lições adquiridas no clube. É um trabalho que exige alguma prática. É importante que os jovens naturalistas adquiram rapidamente esta competência, uma vez que se pretende fazer um estudo o mais possível alongado no tempo sobre as espécies de aves que ocupam o território da Serra de Canelas.
Depois de observarem objetos estáticos a diferentes distâncias, os elementos do clube iniciaram o treino de observação de aves, alvos móveis e de pequena dimensão que exigem alguma destreza e concentração.
Fase de aprendizagem da utilização de binóculos.
Com o tempo, os elementos do clube adquirem uma atitude mais atenta e concentrada sobre o que os rodeia. Vão, também, ficando mais confiantes, uma vez que este tipo de ambiente é novo para a grande maioria.
Exploração de uma mata próxima da Ribeira de Canelas.
Esta primeira fase proporcionou às diversas equipas o conhecimento da região envolvente da Trilha da Serra de Canelas. Alguns aspetos do património natural, nomeadamente algumas espécies de árvores e de arbustos nativos, e do património construído, como por exemplo a escultura de homenagem ao pedreiro que se encontra no lugar do Curro, ocuparam algum do nosso tempo.
A passagem pela Viela do Curro é sempre um momento divertido principalmente para os participantes que nunca ali estiveram.
Encontro com a escultura Monumento ao Pedreiro, da autoria de Margarida Santos.
Nova edição do clube. Mais um grupo de jovens naturalistas vai iniciar a fantástica experiência de realizar trabalhos de pesquisa sobre o mundo natural vivendo-o por dentro.
Como já vem sendo habitual, houve muitos alunos candidatos. No fim, foram selecionados vinte e um provenientes de sete diferentes turmas. Estes foram divididos em três equipas de sete elementos.
Com a chegada da primavera os pontos de interesse aumentaram significativamente nas nossas saídas, senão vejamos:
Os insetos surgiram em força...
Experiência de contacto direto com um gafanhoto do género Locusta.
Borboleta-zebra (Iphiclides feisthamelii) observada pousada em flores e a beber água numa poça de água.
Nos ribeiros apareceram anfíbios e outros habitantes...
Pesquisa de anfíbios e de animais aquáticos (I).
Pesquisa de anfíbios e de animais aquáticos (II).
Identificação de um tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscai) com um guia de campo.
Experiência de manipulação de uma rã-verde (Rana perezi).
Observação e identificação de um escorpião-de-água (Nepa rubra).
As aves de rapina continuaram a ser observadas embora em menor quantidade. Avistámos um peneireiro-comum (Falco tinunculus) por três ocasiões e um gavião (Accipiter nisus) em duas saídas:
Data das observações de...
Peneireiro-comum: 22/3/2017, 26/4/2017, 10/5/2017.
Gavião: 3/4/2017, 10/5/2017.
Os registos e o trabalho de pesquisa continuou a ser realizado nos dias em que as condições metereológicas desaconselharam aventuras no campo.
Lembras-te das felosinhas (Phylloscopus collybita)? Daquelas avezinhas cinzento-esverdeadas que passam a vida a saltar de ramo para ramo sem nunca pararem quietas? Podes recordá-las aqui.
Repara que no vídeo, que é de origem espanhola, o nome comum da felosa é mosquitero común e em inglês, que surge a seguir ao nome científico, é commom chiffchaff. A invenção dos nomes científicos das espécies foi uma excelente ideia para pôr alguma ordem nesta grande confusão!
Queres ouvir o seu canto? Experimenta aqui:
É nos meses de inverno que observamos mais frequentemente estas pequenas aves. Geralmente encontrámo-las atarefadas a procurar insetos, sempre ativas, e não se importando muito com a nossa presença.
Trabalho posterior de pesquisa sobre espécie e realização do respetivos registos nos cadernos de campo.
Bilhete de identidade:
Nome vulgar: Felosa-comum (felosinha)
Nome científico: Phylloscopus collybita
Filo: cordados
Classe: aves
Habitat: bosques, campos e jardins.
Comprimento: 10,5 - 11,5 cm.
Dimorfimo sexual: não existe.
Alimentação: insetos
Tipo de ocorrência: abundante (principalmente no inverno).
Pela primeira vez elementos do Clube de Ciências tiveram oportunidade de observar, durante duas saídas de campo consecutivas, uma ferreirinha-comum. Não é que seja uma ave assim tão rara, trata-se sobretudo de uma espécie bastante discreta, que passa facilmente despercebida no meio da vegetação.
Podes vê-la a cantar neste vídeo:
Trabalho de prospeção de espécies de aves.
Local de observação da ferreirinha-comum (Prunella modularis).
Fase de pesquisa de elementos sobre a espécie (I).
Fase de pesquisa de elementos sobre a espécie (II).
Fase de pesquisa de elementos sobre a espécie (III).
Na saída de campo realizada em 25 de janeiro tivemos a sorte de encontrar um animal que é dificilmente avistado: um musaranho.Os elementos do clube logo pensaram tratar-se de um rato. Como estava morto puderam observar a sua dentição e concluiram que afinal não se tratava de um rato porque a dentição não era de um roedor mas de um insetívoro. A observação da dentição foi, aliás, importante na identificação da espécie.
Os musaranhos são pequenos mamíferos insetívoros muito ativos. Apesar de pequenos são capazes de atacar, matar e devorar animais que têm o dobro do seu tamanho. Comem o equivalente ao seu peso de três em três horas. Algumas espécies praticamente não dormem para não deixar de se alimentar. Por causa do metabolismo acelerado, muito tempo sem comida pode significar a morte. O seu coração bate 1200 vezes por minuto, quase doze vezes mais rápido que o do ser humano. Ao nascer, pelado e de olhos fechados, o musaranho é menor que uma abelha e pesa pouco mais de dois gramas. Vive, em média, de um a dois anos. Quando é atacado por um inimigo, solta um odor desagradável. Seus principais predadores são os gaviões e as corujas. Os musaranhos têm visão reduzida mas excelente olfato.
Musaranho encontrado morto no percurso da trilha.
Pesquisa de informações sobre a espécie.
Registo das conclusões num caderno de campo.
Observa de seguida um breve vídeo sobre a espécie:
Bilhete de identidade do musaranho-de-dentes-brancos-grande:
Nome científico: Crocidura russula
Filo: cordados
Classe: mamíferos
Comprimento: 5,1 - 8,6 cm (sem a cauda)
Habitat: ocupa uma grande variedade de ambientes: pastagens, zonas cultivadas, explorações de sobreiros e azinheiras, pinhais, jardins, etc.
Dimorfismo sexual: não há diferenças significativas entre macho e fêmea;
Alimentação: pequenos invertebrados (insetos, aracnídeos e minhocas);
Ao longo dos meses de inverno os elementos do clube têm tido a oportunidade de tomar contacto com a região abrangida pela Trilha da Serra de Canelas. As atenções têm-se centrado no estudo das aves, uma vez que nesta época do ano numerosos vertebrados encontram-se em hibernação. No entanto há sempre tantas coisas inesperadas que vão surgindo e captando o nosso interesse...
Observação e registo fotográfico de uma lesma, molusco gastrópode que se distingue dos restantes, nomeadamente dos caracóis. pelo facto de não ter concha. Podes ver um interessante vídeo sobre as lesmas aqui.
Pena de pombo-torcaz (Columba palumbus) provavelmente morto por uma ave de rapina (um grande número de penas foram encontradas por baixo de uma árvore que pode ter servido de lugar onde o pombo foi comido).
Pesquisa de um caminho junto à ribeira-de-canelas.
Observação de cogumelos encontrados na manta morta de um bosque.
Recolha de folhas de acácia-austrália (Acacia melanoxylon). As folhas desta árvore são compostas durante os primeiros anos de desenvolvimento. Posteriormente vão desaparecendo e sendo substituídas por filódios que se desenvolvem a partir do seu pecíolo. Na imagem vê-se a fase transitória em que se começam a formar estes filódios.
Os filódios vão substituindo as folhas à medida que estas árvores crescem.
Observação de uma antiga toca de texugo (Meles meles).