"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"

Stephen Jay Gould, 1993



Primeiras saídas

As primeiras saídas levaram os elementos das várias equipas ao contacto direto com o campo depois de uma sessão inicial de apresentação geral do clube na escola. O objetivo principal destas saídas foi precisamente a iniciação ao trabalho de campo o qual implica atenção e silêncio nos grupos, de outra forma é inviável a observação de animais selvagens em liberdade.

Ao longo das primeiras saídas os elementos das equipas tomaram contacto com a Trilha de Canelas onde se desenvolvem todas as atividades de pesquisa sobre o meio natural envolvente.

Outro dos objetivos principais destas saídas consistiu na aprendizagem da correta utilização de binóculos. É necessário algum treino para se conseguir observar convenientemente aves em liberdade.

Sessão de aprendizagem da utilização de binóculos: observação de alvos em movimento (bando de pombas domésticas).

Focagens a diferentes distâncias.

Primeiras observações realizadas pelos elementos de uma das equipas.
Sessão de treino de focagem de alvos a diferentes distâncias.  


Estas primeiras saídas permitiram ainda aos elementos do clube ir conhecendo a região envolvente da Trilha de Canelas, espaço onde decorrem todas as atividades do clube.

Troço florestal da Trilha.

Regresso à Escola após mais uma saída ao campo. 

Viela do Curro. É sempre com surpresa e agrado que os elementos do clube tomam contacto com esta passagem tão apertada.

O percurso da Trilha durante o inverno é por vezes um tanto radical!

Edição 2015/16

Após uma paragem de dois anos o clube regressa à Escola. Os participantes são novos mas o espírito mantém-se: muita alegria, curiosidade e gosto pela aventura!

Pega

As pegas são aves muito belas. Têm plumagem preta e branca com brilho azul ou verde metalizado e cauda bastante comprida. Esta espécie encontra-se distribuída por vastos territórios do hemisfério norte devido à sua grande capacidade de adaptação a diferentes habitats. Um dos segredos do seu êxito deve-se à grande variedade de alimentos que consome: insetos e vermes, pequenos vertebrados, ovos e crias de aves, carcaças de animais mortos, sementes e frutos e restos de alimentos que procuram nas lixeiras.

A pega (Pica pica) é uma espécie inconfundível pela cor da sua plumagem e longa cauda.

Observámos estas aves ao longo dos anos na região da Trilha. Geralmente deslocam-se em pequenos grupos de três a quatro. São bastante desconfiadas não se deixando aproximar facilmente. Vagueiam entre os pinhais e os prados húmidos envolventes da Ribeira de Canelas fazendo às vezes com grande alarido. Podes recordar o seu som característico...


A observação de pegas na natureza exige silêncio e alguma imobilidade. Muitas vezes demos pela sua presença através do ruído característico que emitem.
Estas aves são frequentemente observadas ao longo do ano. São uma espécie residente.

Como habitualmente, todos os registos foram apontados nos cadernos de campo dos participantes.
Recorte da gravura de uma pega para posterior colagem nos cadernos de campo.
Caderno de campo de um dos participantes do clube onde se pode observar o registo relativo à espécie.




Bilhete de identidade da pega:


Nome científico: Pica pica

Filo: cordados

Classe: aves

Comprimento: 42 - 50 cm

Habitat: ocupa diversos tipos de habitats, principalmente florestas e bosques, campos e jardins.

Dimorfismo sexual: não existe.

Alimentação: muito diversificada (regime alimentar omnívoro).

Tipo de ocorrência: espécie residente.

Observando aves

De todos os organismos estudados pelos elementos do clube aqueles que reúnem mais preferências são as aves. Depois de se dominar a técnica da utilização dos binóculos, observar aves é verdadeiramente fascinante.
Observação e identificação de aves.


Muitas das espécies observadas foram já identificadas em anos anteriores e fazem parte da lista de aves divulgadas no site do clube: melros, cartaxos-comuns, piscos-de-peito ruivo, bicos-de-lacre, serzinos, gaios e outros. Todavia, para os participantes deste ano tudo é novidade e por isso todas elas são registadas nos seus cadernos de campo. À medida que o ano passa, estes vão tomando forma e vão-se tornando em pequenos livros pessoais, ilustrados, e cheios de informação e de memórias.

Atualização dos cadernos de campo a partir das observações realizadas no campo.

Elementos da segunda equipa fazendo registos nos seus cadernos de campo.
Consulta de um guia de campo para pesquisa de informações (elementos da equipa três).

O nosso trabalho de pesquisa no campo leva-nos, por vezes, a encontrar elementos naturais que, para os jovens naturalistas, são pequenos tesouros para serem guardados...
Pena de águia-de-asa-redonda encontrada numa das saídas mais recentes.

De novo texugos...

Depois de termos descoberto que as tocas de texugo (ver aqui) tinham sido destruídas no ano anterior, devido à construção de um enorme jardim privado, voltámos a encontrar novas tocas com sinais de estarem atualmente ocupadas: pegadas frequentes, terra remexida e ausência de teias de aranha a cobrir as entradas.

Toca de texugo encontrada em local próximo das antigas tocas.
Conseguimos contar quatro entradas. É possível que haja mais, mas é muito difícil pesquisar por causa da densa vegetação da região envolvente. Parece que os nossos amigos não desistiram de viver nesta região!

Os texugos são animais sociais. Vivem em conjuntos familiares e partilham as mesmas tocas. Ora vejam como os filhotes são tão giros...

 

Pombo-torcaz

O pombo-torcaz (Columba palumbus) é um pombo selvagem. Está presente em Portugal durante todo o ano, mas é consideravelmente mais numeroso durante a estação fria devido à chegada de numerosos indivíduos que migram para o nosso país durante o inverno oriundos de diversos países europeus. Na região da Serra de Canelas um bando de cerca de 30 aves permaneceu por lá de novembro até meados de fevereiro. Tivemos várias oportunidades de ver estas esplêndidas aves que são os maiores pombos que habitam a europa.





Observação de um bando de pombos-torcazes pousados num fio elétrico.


Acompanhamento de pombos-torcazes em voo..


Registo das observações no caderno de campo.




Bilhete de identidade do pombo-torcaz:


Nome científico: Columba palumbus

Filo: cordados

Classe: aves

Comprimento: 39 - 43 cm

Habitat: florestas e bosques, campos e sebes.

Dimorfismo sexual: não existe.

Alimentação: sementes (regime alimentar granívoro).

Tipo de ocorrência: visitante de inverno.

Lagartos e companhia...

Com a primavera apareceram numerosas lagartixas que se passeiam em tudo o que é muro ou talude em busca de calor e de algum pequeno animal que lhes sirva de refeição. Mantiveram-se em hibernação durante o inverno abrigadas por baixo de rochas ou nalgum pequeno buraco na terra ou fenda de um muro. Ao contrário de nós, estes são animais cuja temperatura corporal varia em função do calor ou do frio que se faz sentir. São por isso conhecidos por animais de sangue frio.

Manipulação de uma lagartixa (Podarcis sp.) capturada no local. Observação cuidadosa de aspetos da sua biologia como revestimento (pele com escamas epidérmicas), localização dos ouvidos e implantação lateral das patas no corpo.

Pormenor da lagartixa capturada.


Parentes próximos das lagartixas, os lagartos-de-água (Lacerta schreiberi) causaram muito maior impacto juntos dos elementos do clube devido ao tamanho e às suas cores.

Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) fotografado junto a ponte sobre a ribeira de canelas. 
Trabalho de identificação de um lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) realizado pelos elementos do clube (I).

Trabalho de identificação de um lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) realizado pelos elementos do clube (II).

Manipulação de um lagarto-de-água (I).
Manipulação de um lagarto-de-água (II).

Manipulação de um lagarto-de-água (I).


A partir do trabalho realizado em equipa os elementos do clube ficaram a saber que esta é uma espécie endémica (encontra-se apenas numa pequena região do planeta) e por essa razão é protegida.

O lagarto-de-água encontra-se apenas numa pequena região da Península Ibérica e em nenhuma outra região do planeta. Merece, por essa razão, um especial cuidado em termos de conservação. É bom sabermos que temos uma espécie tão valiosa à porta da escola!


Todos estes animais apresentam um curioso mecanismo de defesa chamado de autotomia. Esta  consiste em largarem a cauda quando é agarrada por um qualquer predador. Desta forma conseguem afastar-se para lugar seguro enquanto o predador fica entretido com a cauda que ainda continua a mexer por um bom período de tempo. A cauda, com o tempo, volta a crescer.
Fases de crescimento da cauda de um lagarto.




Bilhete de identidade do lagarto-de-água:

Nome científico: Lacerta schereiberi;

Filo: cordados

Classe: répteis

Comprimento: cerca de 30 cm;

 Habitat: zonas relativamente húmidas, próximas de rios e ribeiros;

Dimorfismo sexual: os machos são menores mas mais robustos do que as fêmeas e apresentam cor azul intensa na cabeça. As fêmeas também podem apresentar cor azul mas menos intensa e geralmente só na garganta;

Alimentação: pequenos invertebrados, principalmente insectos;

Distribuição: Região noroeste da Península Ibérica.