"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"

Stephen Jay Gould, 1993



Insetos e plantas

Após um longo e chuvoso inverno chegou finalmente o tempo de primavera. Os campos encheram-se de repente de flores e de uma variedade enorme de insetos e outros pequenos habitantes. O Clube de Ciências da Natureza foi investigar...

Miosótis (Miosotis sp.). Encontrámos estas belas flores junto a linhas de água em zonas sombrias.
Trevo-vermelho (Trifolium pratense).
Lírio-dos-charcos (Iris pseudacorus).

Escaravelhos ( Oxythyrea sp.) alimentando-se de pólen numa flor de jarro.

O estudo dos insetos foi realizado através de guias-de-campo. Nem todos os animais foram identificados até à espécie dada a variedade enorme e a dificuldade que este trabalho comporta.
Identificação da borboleta-da-couve (Pieris brassicae).

Algumas das espécies despertaram um interesse especial, por exemplo o ralo, inseto de aspeto estranho cujas patas dianteiras estão adaptadas à escavação. Estes insetos, juntamente com os grilos e outros enchem de sons as noites quentes do ano. Queres ouvir? então clica aqui.

Ralo (Gryllotalpa Gryllotalpa).

 As populares joaninhas não podiam cá faltar...
Joaninha (Coccienella sp.)

Tivemos ainda a oportunidade de observar uma aranha-das-flores a comer uma mosca. Estas aranhas escolhem flores da sua cor e ficam imobilizadas à espera que um inseto lá pouse para o apanhar. Não usam teia para capturar as suas presas.
Aranha-das flores.

Garça-real

Todos os anos aumentamos a nossa lista de espécies de aves que observamos na região da Trilha da Serra de Canelas. Hoje vamos falar da garça-real. Foi num fim de tarde nublado de novembro que avistamos bem de perto um belo exemplar que se encontrava pousado junto à ribeira de canelas, possivelmente repousando de uma viagem entre regiões húmidas daqui do norte de Portugal.


Garça-real (Ardea cinerea) fotografada na Foz de Douro.


O encontro com uma ave desconhecida, de grandes dimensões, causou grande impacto nos jovens investigadores.
Pudemos acompanhá-la por alguns momentos enquanto levantava voo assustada com a nossa presença.

Recorte da imagem de uma garça-real para ser colada no caderno de campo.

Pesquisa de informações sobre a espécie.

Registo das informações pesquisadas no caderno de campo.




Este vídeo dá-te a oportunidade de observares uma garça-real no seu habitat natural...




Bilhete de identidade da garça-real:


Nome científico: Ardea cinerea

Filo: cordados

Classe: aves

Comprimento: 90 - 100 cm

Habitat: margens de água doce e zonas pantanosas.

Dimorfismo sexual: não existe.

Alimentação: principalmente peixes e anfíbios (regime alimentar piscívoro).

Tipo de ocorrência: visitante acidental.

Trabalhando com plantas...

Os animais são a paixão dos participantes do clube. São eles que despertam sempre maior interesse. No entanto, as plantas são também alvo da nossa atenção. Às vezes elas são identificadas até à família, ao género ou à espécie, no próprio local em que as encontramos. Porém, o mais comum é recolhermos elementos, flores e folhas, que depois secamos e colamos nos cadernos de campo. A sua identificação é realizada nesta fase posterior.

Coleção de folhas de diferentes espécies recolhidas para posterior secagem: austália (Acacia melanoxylon), louro (Laurus nobilis) e chapéu-dos-telhados (Umbilicus rupestris). É curioso verificar-se que as folhas da austrália estão em fase de desenvolvimento dos filódios (ramos achatados que substituem as folhas na fase adulta da espécie).

Recolha de folhas de polipódio, feto do género Polypodium, com soros na página inferior.

Fase de colagem dos elementos vegetais previamente secos num caderno de campo: folhas de funcho (Foeniculum vulgare) e flores de fumária (Fumaria sp.) e urtiga-mansa (Lamium sp.).

Primeiras sessões do clube

As primeiras sessões do clube têm como principal objetivo pôr os elementos em contacto com algumas metodologias do trabalho de campo. Aprendem por exemplo a utilizar os binóculos, coisa aparentemente fácil mas que exige alguma destreza!

Sessão prática de aprendizagem de utilização de binóculos para acompanhamento de alvos em movimento.

Aprendizagem da importância de uma focagem correta.

Nesta fase do processo, os elementos do clube são avisados para algumas regras fundamentais como por exemplo nunca virar os binóculos para o Sol, para pessoas ou para casas. Aprendem igualmente a regulá-los para si próprios, ao nível da distância entre pupilas, ou dos ajustamentos das oculares.



Estas sessões permitem igualmente que os participantes adquiram progressivamente comportamentos adequados a este tipo de trabalho, ao nível da atenção, da destreza e da autonomia. 

As primeiras saídas permitem aos elementos do clube a aprendizagem do "saber estar no campo"...

... desenvolvendo a confiança e destreza,...

... e a capacidade de observação e concentração no trabalho.

Seleção dos participantes

Cada ano que passa mais alunos se mostram interessados no clube. Desta vez houve cerca de oitenta candidaturas. Infelizmente, só vinte e quatro podem participar (integrados em três equipas de oito elementos).

A seleção dos candidatos decorreu como o habitual, foi realizada com base na qualidade dos trabalhos por eles apresentados a partir de um tema proposto. Os trabalhos podem ser realizados sob forma de texto, desenho, colagens, banda desenhada, outro qualquer formato, a fim de tornar mais democrática a escolha dos elementos.

Exemplo de trabalho selecionado.
Desta vez foram abrangidos alunos de seis turmas diferentes.

Ano letivo 2012 / 13

Um novo ano começa. O Clube de Ciências da Natureza prossegue na sua oitava edição sempre com a mesma dedicação e entusiasmo de todos os elementos envolvidos. A natureza é a grande escola!


Visita à "Casa Assombrada"

Uma das saídas que mais sucesso faz nas equipas do Clube de Ciências é a visita a uma antiga quinta com uma casa senhorial construída no séc XIX e que hoje se encontra em ruínas. No percurso para a quinta os elementos do clube tiveram a oportunidade de observar um sem número de insetos, aranhas e belas plantas espontâneas. Uma das equipas teve ainda a sorte de observar um lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) que infelizmente não se deixou capturar.

Observação de insetos polinizadores sobre plantas.
Pela primeira vez observámos plantas em flor do género Dianthus na região da Trilha.


O acesso à antiga quinta fez-se através de um espaço aberto num muro que ruiu. A quinta ocupava outrora uma vasta região. Hoje, a vegetação selvagem tomou conta do espaço embora ainda se encontrem, aqui e ali, plantas que faziam parte dos antigos jardins: várias camélias, glicínias, roseiras loureiros, faias e outras.

Acesso à quinta.
Dentro da quinta os caminhos estão praticamente fechados por vegetação densa...
... e os problemas com as silvas são frequentes!


Este espaço, há muito abandonado, é agora "propriedade" de muitos animais. Observámos penas de uma pomba possivelmente capturada por uma ave de rapina, várias pinhas roídas por esquilos (Sciurus vulgaris), gaios (Garrulus glandarius), pegas-rabudas (Pica pica) e, numa das visitas, encontrámos um pachorrento sapo-comum (Bufo bufo).

Pinha roída por esquilo.


A casa é enorme. No seu interior cresceram árvores que têm já tamanho adulto. São tantos os compartimentos  que nem sequer se consegue ter uma ideia clara acerca da sua estrutura original. Próximo da casa ainda se encontram vestígios de lagos, esculturas caídas e belíssimos azulejos da época.
Vistas exteriores da casa (I).
Vistas exteriores da casa (II).
Entrada principal.
Escultura que servia de chafariz num lago.
Restos de um banco de jardim (?) revestido de azulejos.


Enquanto visitávamos a quinta fomos imaginando como teria sido o dia-a-dia das gerações que por aqui passaram: os passeios no jardim, as festas, as alegrias e tristezas daqueles que tiveram a sorte de poder habitar um espaço tão bonito. É realmente uma pena ver uma propriedade como esta assim tão degradada!