"... dou conta (...) que não podemos vencer esta batalha para salvar espécies e ambientes sem criarmos um laço afetivo com a natureza, pois não lutaremos por salvar aquilo que não amamos (mas só apreciamos de um modo abstrato)"

Stephen Jay Gould, 1993



Fuinha-dos-juncos

Entre as diversas espécies de aves que encontramos na região da Serra de Canelas uma das mais pequenas e engraçadas é a fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis). Esconde-se no meio dos caniços nas margens da Ribeira de Canelas para de repente surgir muito próximo das pessoas deixando-se observar sem qualquer dificuldade mesmo sem o auxílio dos binóculos.

Fuinha-dos-juncos.

Na primavera é frequente observarmos estas pequenas aves descrevendo os seu voos de canto, rituais de acasalamento nos quais os machos realizam um voo ondulante enquanto emitem um som seco e monótono. Queres ouvir?


Observação atenta de uma fuinha-dos-juncos (Cisticola juncidis).

Registo das conclusões da pesquisa realizada sobre a espécie nos cadernos de campo.
Identificação do nome vulgar e do nome científico da espécie para posterior registo correto nas cadernos de campo.
Registo das conclusões no caderno de campo.

Bilhete de identidade:

Nome vulgar: Fuinha-dos-juncos

Nome científico: Cisticola juncidis

Filo: cordados

Classe: aves

Habitat: zonas húmidas e pantanosas. 

Comprimento: 9 - 11 cm.

Dimorfimo sexual: não existe.

Alimentação: insetos

Tipo de ocorrência: residente mas pouco abundante.

Recolha de bolotas

Sobreiro (Quercus suber) que se encontra no percurso da Trilha.

Este ano, no Dia do Agrupamento (3/3/2017), vai haver uma atividade dinamizada pelo grupo de Ciências subordinada ao tema "Valorização do Património Natural". Nesta atividade os alunos vão semear bolotas, de carvalho-roble e de sobreiro, e castanhas. As sementes serão colocadas em recipientes reutilizados: garrafas de água e pacotes de leite previamente cortados. Posteriormente as pequenas árvores serão plantadas quer no espaço exterior da escola, quer em toda a região da Serra de Canelas, uma vez que os incêndios têm desvastado manchas de floresta.
O Clube de Ciências da Natureza não podia deixar de colaborar neste evento. O nosso contributo foi, pois, recolher bolotas durante as nossas saídas de campo. Mais tarde iremos também plantar algumas das jovens árvores.

Colheita de bolotas realizada por elementos de uma das equipas do clube. 
Observação de uma bolota de sobreiro (Quercus suberainda com a cúpula semelhante a uma pequena carapuça.
Constituição de uma bolota.


Borboleta-cauda-de-andorinha

Numa das saídas realizadas no mês de novembro fomos alertados por uma simpática senhora para a presença de uma grande quantidade de lagartas muito coloridas que tinham aparecido num canteiro de arruda (Ruta graveolens) plantado numa pequena horta em frente a sua casa. Na realidade estas lagartas dão origem a lindíssimas borboletas conhecidas por borboletas-cauda-de-andorinha (Papilio machaon)

No vídeo seguinte podes recordar estas lagartas.


Uma vez ultrapassadas as metamorfoses, esta lagarta dá origem a uma borboleta com este belíssimo aspeto!

Borboleta-cauda-de-andorinha fotografada em Salreu (Aveiro). De notar que esta borboleta perdeu um dos apêndices das suas asas. 
 A pesquisa sobre a espécie decorreu mais tarde na escola. As informações foram recolhidas a partir do guia de campo "As borboletas de Portugal" e devidamente registadas nos cadernos de campo dos elementos do clube.

Registo das informações da espécie nos cadernos de campo.
Consulta de um dos guias de campo de borboletas disponíveis.


Bilhete de identidade

Nome vulgar: borboleta-cauda-de-andorinha

Nome científico: Papilio machaon

Filo: Artrópodes

Classe: Insetos

Comprimento (distância entre as asas): 8 a 10 cm

Distribuição: Encontra-se em todo o território de Portugal

Alimentação: a lagarta alimenta-se principalmente de arruda (Ruta graveolens) e funcho (Foeniculum vulgare)

Primeiras sessões do clube

As primeiras sessões realizaram-se na escola, no início, e depois no campo. O encontro na escola serviu para explicar aos elementos das várias equipas alguns aspetos importantes sobre o clube como por exemplo metodologias de trabalho utilizadas, apresentação dos guias de campo e dos cadernos de campo. Uma vez concluída esta introdução ao clube partimos para o campo para iniciar a aprendizagem da utilização dos binóculos. Esta fase decorreu igualmente no recreio da escola porque o tempo esteve muito instável no mês de novembro.


Habituação ao efeito da aproximação proporcionado pelos binóculos: objetos afastados parecem estar ao alcance da mão! 

Elemento do clube relembra a importância da focagem numa utilização correta dos binóculos.
 Depois de observarem objetos estáticos a diferentes distâncias, os elementos do clube iniciaram o treino de observação de aves, alvos móveis e de pequena dimensão que exigem alguma destreza e concentração.
Com a progressiva diminuição do fotoperíodo, no mês de novembro, as sessões do clube terminaram já quase de noite.
Algumas sessões decorreram em parte no recreio da escola a fim de evitarmos levar uma chuvada! Às quartas-feiras não há praticamente aulas de tarde e várias aves procuram o espaço exterior para comer migalhas e restos dos lanches de alunos que ficam pelo chão.
Alvéolas-brancas (Motacilla alba) e gaivotas-de-asa-escura (Larus fuscus) foram as espécies mais observadas.

Para além da observação de aves estas primeiras saídas permitiram aos elementos do clube ir conhecendo a região onde decorrem os nossos trabalhos à medida que vão adquirindo destreza, autoconfiança e concentração.

Observação da sinalização da Trilha da Serra de Canelas.
Zona da Trilha particularmente bonita.
Observação de um loureiro (Laurus nobilis). Cada elemento do clube retirou uma folha para posteriormente secar e adicionar ao seu caderno de campo.

Edição 2016/17

Mais um ano, novas oportunidades para um conjunto de jovens exploradores experimentarem a sensação de construir conhecimentos sobre a natureza enquanto a vivem por dentro. O clube de ciências é um mundo de aventuras!



Dos sessenta e dois candidatos, vinte e dois foram selecionados mediante a apresentação de um trabalho. Eis um exemplo:

Os alunos selecionados, pertencentes a seis turmas, foram divididos em três equipas: duas com sete e uma com oito elementos. O trabalho do clube é desenvolvido somente com uma equipa de cada vez. As equipas vão alternando ao longo do ano.

Últimas saídas de maio

O ano letivo aproxima-se do fim. O Clube de Ciências está também a concluir as suas atividades. Durante todo o mês de maio foram muitos os motivos de interesse que fomos encontrando durante as nossas saídas. vejamos alguns:

Prosseguiu a pesquisa de animais anfíbios e aquáticos...
... e de outros animais terrestres. Encontrámos vários debaixo de pedras.
Alguns, como tritões e larvas de libélula, foram colocados em frascos de vidro para se poderem estudar melhor.

Capturámos também uma rã-verde (Rana perezi) numa pequena linha de água...

...e observámos curiosos insetos como uma vespa a proteger o seu ninho...
... ou estas belíssimas borboletas da família dos zignídeos em acasalamento.

Primavera na Trilha da Serra de Canelas

Com a primavera surgiram novos motivos de interesse na Serra de Canelas: campos floridos, novas espécies de aves que migraram de outras regiões do mundo, uma coleção infindável de insetos e répteis e anfíbios que despertaram do estado de hibernação. O trabalho das equipas tem sido muito diversificado: pesquisar anfíbios e insetos aquáticos em pequenos ribeiros e charcos, répteis, insetos e outros animais  entre a vegetação em prados húmidos e por baixo de pedras e troncos e, é claro, continuar o estudo das aves da região. Pena é que as aves de rapina começaram a ser avistadas com menos frequência,  somente uma observação de um peneireiro-vulgar no dia 20 de abril e de um gavião no dia 4 de maio.

Prospeção de animais num prado.

Observação de um pequeno gafanhoto. 
Utilização de redes para captura de anfíbios.
Tal como em anos anteriores, as várias equipas tiveram oportunidade de capturar tritões-de-ventre- laranja (ver aqui) utilizando para tal pequenas redes de aquário. Após a captura seguiu-se a sua identificação feita a partir de um guia de campo.

O trabalho de identificação é sempre realizado em conjunto.
Após a identificação os elementos puderam pegar nos tritões e observá-los em pormenor. É claro que foram tomados todos os cuidados para evitar prejudicar os animais! As mãos, por exemplo, foram frequentemente molhadas para manter a sua pele sempre húmida.

Manipulação de um tritão-de-ventre laranja.

O registo fotográfico também não podia faltar, afinal os smartphones estão sempre à mão!

Realização de registos fotográficos dos animais em estudo.
Muitos outros motivos de interesse poderiam ser referidos: já chegaram, por exemplo, os verdilhões (Carduelis chloris) e as andorinhas (Hirundo rustica) das suas migrações por terras distantes. A toca dos texugos este ano não está ocupada, não há vestígios da sua presença (pegadas, terra remexida, ...). Numa próxima saída vamos pesquisar melhor os arredores a ver se encontramos outras entradas.

Entrada de toca de texugo (Meles meles) não utilizada recentemente.